A mensagem de Helena permaneceu na tela do celular como uma provocação silenciosa.
Júlia não respondeu.
Não bloqueou.
Não apagou.
Colocou o aparelho sobre a mesa da cozinha e se afastou alguns passos, como se precisasse ganhar distância física daquilo para organizar o que sentia por dentro. O coração batia acelerado, mas não era pânico. Era alerta. Um tipo novo de lucidez que ela vinha aprendendo a reconhecer.
Helena nunca aparecia por acaso.
Sempre havia intenção.
Sempre havia veneno disfarçado de cuidado.
Júlia respirou fundo e se sentou, apoiando os cotovelos na mesa. Pensou em Daniel. Pensou na distância recém-instalada entre eles. Pensou em como aquela ausência física poderia ser facilmente usada como arma por alguém que sempre viveu de manipulação.
— Não agora — murmurou para si mesma. — Não do mesmo jeito.
Pegou o celular novamente e leu a mensagem mais uma vez, analisando cada palavra.
Soube que Daniel foi embora.
Não perguntou. Afirmou.
Achei que você merecia saber de algumas