O tempo ganhou outro peso a partir do momento em que a decisão deixou de ser abstrata.
Daniel iria.
Não como fuga.
Não como abandono.
Mas como escolha difícil, consciente, dolorosa.
Júlia percebeu isso no modo como os dias seguintes começaram a se organizar ao redor dessa certeza ainda frágil. Nada foi dito de forma definitiva, mas tudo passou a carregar um antes e um depois. A mala ainda vazia no canto do quarto era um lembrete silencioso de que o amor deles estava entrando em uma fase que não permitiria ilusões.
Naquela manhã, Júlia acordou antes do despertador. O corpo estava cansado, mas a mente alerta demais para dormir. Daniel ainda dormia ao lado dela, o rosto sereno, quase em contraste cruel com o turbilhão que ela sentia por dentro.
Ela o observou longamente.
Pensou no acidente.
Pensou na mentira que os uniu.
Pensou em tudo o que haviam reconstruído com verdade, palavra por palavra, escolha por escolha.
E agora… pensava na coragem de deixá-lo ir sem se perder.
Levantou-se em