A tranquilidade não foi interrompida por um grande acontecimento. Não houve telefonemas urgentes, nem visitas inesperadas, nem lembranças violentas atravessando a mente de Júlia. O teste veio de forma mais sutil. E, talvez por isso mesmo, mais real.
Naquela manhã, Júlia acordou com um peso estranho no peito. Não era angústia clara, nem tristeza definida. Era uma inquietação difusa, como se algo dentro dela estivesse se reorganizando outra vez. Daniel já estava acordado, sentado à beira da cama, vestindo a camisa com movimentos lentos.
— Você está bem? — ele perguntou, percebendo o silêncio diferente.
Júlia hesitou antes de responder.
— Não sei dizer — confessou. — Não é dor. Mas também não é calma.
Daniel não tentou corrigir o sentimento dela. Apenas sentou-se ao lado, apoiando o antebraço na perna.
— Então a gente observa — disse. — Sem brigar com isso.
Ela assentiu, grata por não precisar explicar melhor.
O dia seguiu com normalidade aparente. Júlia foi ao curso, participou das ativ