O sábado amanheceu preguiçoso, com uma luz suave atravessando as cortinas e pousando devagar sobre o quarto. Júlia abriu os olhos sentindo o corpo inteiro relaxado, como se tivesse finalmente aprendido a confiar no descanso. Daniel dormia de lado, o rosto sereno, uma das mãos estendida na direção dela, mesmo sem tocá-la.
Ela ficou observando por alguns minutos, percebendo como aquele gesto involuntário dizia mais do que qualquer promessa. Ele não segurava por medo de perder. Apenas estava ali.
Júlia levantou-se devagar e foi até a cozinha. Não preparou café de imediato. Abriu a janela, deixou o ar entrar, ouviu os sons do bairro acordando. Pessoas caminhando, um cachorro latindo, um rádio distante. A vida acontecendo sem pressa.
Quando Daniel apareceu, ainda sonolento, encostou-se à porta e ficou olhando.
— Você tem esse jeito estranho de transformar manhãs comuns em algo importante — ele comentou.
— Talvez porque, por muito tempo, eu achei que o comum não bastava — Júlia respondeu. —