A semana avançou sem sobressaltos, e isso, para Júlia, era quase um milagre. Os dias passaram marcados por horários simples: aulas pela manhã, leituras à tarde, conversas sem pressa à noite. Nada extraordinário. Tudo essencial.
Naquela sexta-feira, ela chegou em casa mais cedo. Encontrou Daniel no escritório improvisado, concentrado demais para perceber sua presença. Júlia ficou parada à porta por alguns segundos, observando-o. Não havia urgência em ser vista. Havia prazer em ver.
Ele estava com as mangas da camisa dobradas, os óculos apoiados no nariz, a expressão séria de quem carrega responsabilidade, mas não peso. Júlia sentiu um carinho silencioso crescer no peito. Amava aquele homem não só pelo que representava para ela, mas pelo que ele era quando ninguém estava pedindo nada.
— Está me olhando assim há muito tempo? — Daniel perguntou, sem tirar os olhos do papel.
— Tempo suficiente para lembrar por que me apaixonei — ela respondeu.
Ele levantou o olhar e sorriu, aquele sorriso