O calor sufoca. A escuridão parece mais densa hoje. Ou talvez seja meu peito que está mais pesado, tentando respirar entre as memórias que me esmurram por dentro.
Estou sentada no colchão fino, com o lençol manchado de sangue dobrado ao meu lado. Meu pescoço ainda arde onde a Anne arranhou, mas é por dentro que sangra mais.
Fecho os olhos, mas não encontro paz nem quando não vejo nada. A imagem da foto, das palavras da Anne, do rosto do Samuel antes de apagar no corredor... tudo volta como uma