Um mês.
Um mês desde o curativo, desde que eu encostei no rosto dele e vi algo rachar nos olhos do homem que me prendeu, desde que acordei nessa casa e ainda não parece real.
Talvez eu também tenha rachado, aos poucos. Devagar e silenciosamente.
Os dias se misturam. A rotina virou uma dança macabra: acordar, comer, encarar as mesmas paredes, escutar passos do outro lado da porta e esperar. Esperar o quê?
Não sei.
Dona Helena é a única alma viva com quem ainda troco palavras. Todos os dias ela a