A cidade estava mais fria naquele fim de tarde. O vento soprava entre os prédios como se anunciasse mudança — não da estação, mas da alma. Uma brisa que levava embora o que já não cabia, e deixava espaço para o que talvez ainda pudesse florescer.
Luna caminhava devagar, com as mãos dentro dos bolsos do casaco. Passava pela praça onde crianças corriam em um mundo à parte, rindo alto como quem nunca teve o coração quebrado. Os galhos das árvores se curvavam com o vento, e o céu, tingido de âmbar,