Mundo de ficçãoIniciar sessãoSeis anos atrás, Felícia Montes terminou com o galã da faculdade de direito, Mael Sarmento, de forma casual após três meses de namoro. Seis anos depois, os papéis se inverteram: ela é uma ex-herdeira falida e endividada, enquanto ele é um magnata de um escritório de advocacia de elite. Quando ela precisa de um advogado de divórcio, ele aparece com um olhar de desprezo, dizendo que a culpa é toda dela. Mael Sarmento finge odiá-la, mas a persegue até encontrá-la em sua pequena pensão, onde a encurrala com lágrimas nos olhos e pergunta: "Você realmente consegue me abandonar de novo?".
Ler maisFelícia acordou com um sobressalto. O peito apertado, a respiração curta — como quem sai de um pesadelo mas ainda não tem certeza de que saiu. Ela precisou sentar na cama e esperar alguns segundos até que o quarto parasse de girar. "Há seis anos eu a considerei morta pra mim." As palavras de Mael estavam ali, tão nítidas quanto na noite anterior. Ela havia recuperado a consciência brevemente no hospital, o suficiente para ouvir aquela frase dita em voz baixa para Germano — não para ela, nunca para ela — antes de mergulhar de volta na escuridão. E depois sonhou a noite toda. --- — Senhorita Montes, que bom que acordou. Uma voz desconhecida veio do lado da cama. Felícia virou a cabeça e viu um jovem de terno discreto, postura educada, expressão solícita — o tipo de pessoa que claramente havia sido treinada para ser invisível até ser necessária. — Quem é você? — Me desculpe, devia ter me apresentado antes. — Ele se adiantou levemente. — Meu nome é Felipe Andrade, sou assistente
Tinha sido ela quem chegou primeiro.Mael era filho da empregada da família Montes. A primeira vez que Felícia o viu foi no jardim da casa num sábado à tarde — ela brincava de frisbee com o golden retriever da família quando o disco desviou da trajetória e foi direto na direção de um rapaz que havia chegado para levar remédio para a mãe.Ele ergueu a mão e agarrou o disco no ar sem nem piscar.Camisa branca simples, mangas levemente arregaçadas, o sol de fim de tarde batendo de lado no rosto. Olhos fundos e tranquilos como lago parado. Felícia sentiu uma corrente elétrica quando as pontas dos dedos deles se tocaram na hora da devolução, e tomou uma decisão ali mesmo, naquele segundo exato: ia atrás dele.E foi.Por três anos, ela apareceu em todas as aulas dele na faculdade de direito, sentava na frente dele no refeitório e enchia o prato com tudo que ele gostava, frequentava o bar onde ele trabalhava meio período e pedia as bebidas mais caras da carta sem pestanejar. Mael a evitava,
Os punhos de Lucas Jortan martelavam a madeira com uma raiva que não se preocupava em disfarçar. Do lado de dentro do quarto, Felícia sentiu o estômago virar.Mael olhou para ela. Um único piscar de olhos — rápido, direto — e apontou para o banheiro com um movimento quase imperceptível da cabeça.Ela assentiu e desapareceu pela porta, encostando-a sem fazer o menor barulho.Do outro lado da parede, com as costas contra o azulejo frio, Felícia prendeu a respiração e ouviu os passos firmes de Mael cruzando o quarto. A porta principal se abriu.---Lucas estava no corredor com dois homens atrás dele — celulares levantados, gravando. Preparado. Aquilo não era impulso raivoso de marido enciumado. Era estratégia montada com antecedência.Mas quando a porta abriu e Lucas viu quem estava do outro lado, o punho que ele levantava para mais um golpe congelou no ar.Mael olhou para os três com a expressão serena de quem acabou de ser interrompido numa reunião importante.— Cavalheiros — disse ele
---Felícia acordou sem saber onde estava.A cabeça latejava com uma intensidade que tornava difícil pensar em qualquer outra coisa. Ela piscou várias vezes, esperando a visão ajustar, e foi aos poucos catalogando o ambiente ao redor.Quarto grande. Teto alto com moldura de LED apagada. Lustre central de design sóbrio. Uma pintura a óleo enorme acima da cabeceira — abstrata, fria, cara. As cortinas cinza-escuras estavam completamente fechadas, bloqueando qualquer indicação de horário.Não era o quarto da Renata.Felícia tentou sentar e o cobertor escorregou. Ela olhou para baixo.Não estava com roupa nenhuma.O suéter, a calça jeans, a roupa íntima — tudo estava espalhado no chão ao lado dos sapatos, como se tivesse sido tirado às pressas ou jogado sem cuidado. Ela inspecionou o próprio corpo com rapidez e precisão. Os lençóis estavam em ordem. Além da dor de cabeça, nenhum desconforto.Estava prestes a se abaixar para pegar as roupas quando ouviu o clique da porta.Ela se enrolou no










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