(Ponto de vista dele — Ethan)
A primeira ligação chegou às seis e quarenta da manhã.
Eu ainda estava deitado, observando Aurora dormir. O quarto estava mergulhado numa luz suave, filtrada pelas cortinas de linho. Ela respirava com calma, uma mão apoiada sobre o ventre ainda discreto, como se já soubesse exatamente onde precisava estar.
O telefone vibrou na mesa de cabeceira.
Silenciei no primeiro toque.
No segundo, soube que não era coincidência.
Levantei com cuidado, vesti a camisa e saí do quarto sem fazer ruído. Atendi no corredor.
— Vesper.
Houve um pequeno silêncio do outro lado. Curto demais para ser hesitação. Longo demais para ser normal.
— Encontramos algo, senhor.
A voz de Marco, meu chefe de segurança, não carregava urgência — carregava peso.
— Onde? — perguntei, já plenamente desperto.
— Em Zurique. Um fundo antigo, que acreditávamos encerrado… foi reativado há três semanas. O nome do beneficiário indireto apareceu nos rastreios cruzados.
Fechei os olhos por um segundo.
—