(Ponto de vista dele — Ethan)
Era uma manhã comum.
Ou, pelo menos, deveria ser.
O céu de São Paulo estava limpo demais para a época do ano, a cidade começava a se mover lá embaixo com sua habitual pressa organizada, e meu escritório permanecia exatamente como sempre estivera: silencioso, funcional, impenetrável. Relatórios abertos na mesa, decisões pendentes na tela, números que exigiam atenção absoluta.
Mas eu não conseguia me concentrar.
Aurora estava diferente desde que acordamos.
Não era algo óbvio. Não havia lágrimas, nem nervosismo explícito, nem aquele tipo de inquietação que costuma anunciar problemas. Era mais sutil do que isso — e, justamente por isso, mais alarmante.
Ela estava quieta demais.
Aurora nunca foi barulhenta, mas havia nela uma presença constante, um jeito de ocupar os espaços mesmo em silêncio. Naquela manhã, porém, parecia recolhida dentro de si, como se guardasse algo que ainda não tinha decidido dividir com o mundo.
Enquanto eu lia o mesmo parágrafo pela ter