A moto rugiu pelas vielas estreitas do morro, e eu sentia ela agarrada em mim, o corpo pequeno colado nas minhas costas, como se buscasse em mim a segurança que o mundo inteiro tinha negado.
Mas eu não era segurança.
Eu era o perigo.
Desci até o esconderijo, um dos meus pontos mais seguros. Lugar onde ninguém metia o nariz sem minha ordem.
Parei a moto e olhei para ela.
Isabela desceu sem dizer uma palavra. O rosto ainda ardendo do tapa, os olhos vermelhos, a boca tremendo de raiva contida.