A manhã nasceu cinzenta na Penha. O céu pesado parecia refletir o clima do morro, ainda marcado pelo confronto dos dias anteriores. Nos becos, o cheiro de pólvora já havia se misturado com o da comida fritando cedo, mas o silêncio denunciava: ninguém estava em paz.
Priscila acordou com o coração acelerado, mesmo sem ouvir tiros. Era como se o corpo tivesse aprendido a viver em alerta. Cada batida na porta, cada passo no corredor a fazia prender a respiração.
Rute a observava da cozinha.
— Tu nã