O sol nasceu manchado de fumaça sobre o Complexo da Penha. O dia seguinte à primeira noite de sangue trouxe um silêncio pesado, cortado apenas pelos sons de sirenes distantes e passos apressados nas vielas. Carros abandonados ainda bloqueavam as ruas, marcas de tiros espalhadas pelo concreto. O morro não dormiu, e agora carregava suas cicatrizes visíveis.
Priscila estava sentada no chão da sala da casa de Rute, os joelhos abraçados ao peito. A respiração ainda era irregular, e as mãos tremiam.