A manhã nasceu abafada no Complexo. O sol batia nas lajes e refletia nas telhas de zinco, enquanto a favela já fervilhava: criançada correndo descalça, mulheres discutindo no portão, motos subindo e descendo as vielas. Mas havia algo diferente no ar. Um silêncio escondido, como se todos estivessem esperando a próxima jogada de uma partida perigosa.
Priscila sentia isso no corpo. Desde o encontro com Caio, o coração parecia viver em sobressalto. Cada passo na rua era um risco, cada sombra um avi