A manhã amanheceu densa no morro, como se o sol tivesse medo de brilhar. O silêncio que pairava não era normal — os becos, geralmente cheios de música alta, vozes e passos, estavam estranhamente calados. Era o tipo de silêncio que anunciava tempestade.
Priscila não tinha conseguido dormir. Sentia no corpo o peso da noite anterior: os disparos de aviso, os boatos de que homens estranhos tinham rondado o beco, o olhar desesperado de Rute pedindo que ela sumisse antes que fosse tarde demais.
— Eu