DOIS MESES Nunca imaginei que o espaço de apenas dois meses pudesse ser implacável o suficiente para arruinar uma vida inteira, mas a realidade faz questão de provar que sim, é totalmente possível. — Ao entrar em casa, arrastando os pés e ainda com a mochila pesada a tiracolo, sinto de imediato que algo está terrivelmente errado, pois o ar parece denso, pesado e completamente estagnado, como se a residência inteira estivesse prendendo a respiração coletivamente diante de uma tragédia iminente. — Mãe? — chamo, fechando a porta com uma cautela exagerada, e então a encontro na sala. — Sentada no sofá com os olhos vermelhos e profundamente inchados, ela segura um papel amassado entre as mãos trêmulas, parecendo completamente perdida em meio à própria dor. Ao lado dela, meu pai está curvado sobre si mesmo, carregando um ar de derrota e abatimento de uma forma tão profunda que eu nunca havia testemunhado antes em toda a minha vida. — Meu irmão caçula se encosta rigidamente na parede da c
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