####CAPÍTULO 05

NOITE DE LEILÃO

SEBASTIAN

Conforme a noite avançava, a casa se enchera de convidados.

— O elegante e requintado salão, decorado com lustres de cristal brilhando suavemente, estava repleto de homens bem vestidos, adornados com gravatas de seda e abotoaduras cintilantes, que trocavam palavras em tons sussurrados, como se compartilhassem segredos preciosos.

As paredes, revestidas com tapestes finos, pareciam sussurrar histórias de celebrações passadas, enquanto os aromas sofisticados que emanava da cozinha prometiam delícias que iriam deliciar não apenas o paladar, mas também criar memórias.

— Embora a elegância do ambiente fizesse parte da rotina, a atmosfera estava impregnada de expectativa, como quando se aguarda o início de uma grande apresentação teatral, onde cada detalhe parece pronunciar um espetáculo extraordinário.

As risadas leves misturavam-se ao tilintar de taças de champanhe, criando uma sinfonia de alegria e antecipação que preenchia o espaço.

— Às nove horas em ponto, Madame Edith fez sua entrada triunfal, capturando instantaneamente a atenção de todos com sua confiança inata que irradiava da sua postura imponente e do jeito que ela atravessava o salão, como uma rainha que adentra seu reino.

Assim que começou a falar, o murmúrio cessou como um feitiço, e todos os olhares se fixaram nela, pendendo em cada palavra que proferiu.

— Com um gesto teatral, ela proclamou que a noite seria memorável, prometendo uma experiência que transcendeu o ordinário, e então apresentou Nina, descrevendo-a como uma figura intrigante, possuindo "corpo de pecado e rosto de anjo".

Essas palavras, que evocavam um equilíbrio perfeito entre desejo e inocência, instantaneamente acenderam a curiosidade dos convidados, lembrando o magnetismo de uma musa artística, suas feições etéreas e aura cativante.

— O ar ao redor parecia eletrificado, como se a própria essência de Nina fosse capaz de despertar inspirações ocultas e desejos adormecidos, deixando todos prontos para mergulhar em um mundo onde o ordinário se tornava extraordinário.

Com um estalo de dedos que ecoou na sala como um sinal divino, as cortinas se abriram, revelando Nina em toda a sua glória, como uma obra de arte exposta para apreciação e desejo.

— Ela usava saltos altos vermelhos que lhe conferiam uma postura altiva e poderosa, cada passo ecoando como um toque de sinos no silêncio reverente dos convidados.

As meias pretas, adornadas com cinta-liga vermelha, acariciavam suas pernas e realçaram suas curvas voluptuosas, como se cada peça tivesse sido cuidadosamente escolhida para destacar sua beleza única, transformando-a em uma verdadeira musa contemporânea.

— Sua camisola transparente deslizava suavemente sobre sua pele clara, criando uma imagem quase etérea, como uma miragem em um deserto escaldante, um vislumbre de algo desejado mas inalcançável.

Os cabelos pretos, soltos até a cintura, meticulosamente estilizados, ocultava, sua beleza natural e conferindo um ar de mistério à sua persona; enquanto uma venda vermelha cobria seus olhos, não conseguindo disfarçar completamente a tensão que a deixava rígida como uma estátua em um pedestal.

— Era como se estivesse presente, mas ainda assim não pertencesse àquela cena extravagante, evocando a figura de uma deusa tímida em um altar elaborado, aguardando o julgamento da plateia, imersa em um mar de expectativas e olhares avaliadores, cada um deles carregando um peso de desejo e admiração.

A atmosfera estava carregada de um suspense palpável, como se o ar ao redor estivesse envolto em uma energia elétrica, enquanto todos os presentes se perguntavam: o que realmente se passava na mente daquela mulher, cercada por glamour mas também por uma vulnerabilidade inquietante?

— Eu assistia, atento, sem desviar o olhar, consciente de detalhes que pareciam escapar aos demais.

A cena não se limitava ao corpo exposto; havia algo perturbador, como um nevoeiro que encobre uma paisagem ensolarada.

— A rigidez de Nina, com um leve tremor em suas mãos presas à frente, revelava uma contenção deliberada, como se estivesse segurando um grito dentro de si.

Seus dedos, brancos e trêmulos, lutavam contra a imobilidade, enquanto seus olhos, ocultos sob a venda, transmitiam um misto de medo e determinação.

— Era como se ela quisesse gritar por socorro, mas a situação silenciada e, transformando cada segundo em um peso insuportável.

Por trás da venda, sua expressão contradiz todo o ouro e brilho ao redor, como uma sombra que apaga a luz, sugerindo um mundo de desespero oculto, onde as emoções eram sufocadas por uma opressão quase palpável.

—:Não era apenas um leilão; era um ritual sombrio, um teatro de almas vendidas, onde a dignidade se dissolvia sob a pressão do dinheiro e do desejo.

A governanta se aproximou e começou a soltar os laços que prendiam as pernas e os pulsos de Nina, um ato que parecia simples à primeira vista, mas carregava um simbolismo profundo.

— O som suave dos nós se desfazendo ecoou no ambiente, criando uma atmosfera tensa que apenas nós dois percebemos.

Nesse momento, decidi dar um passo à frente, estendendo minha mão até ela, como se estivesse oferecendo apoio a alguém que se encontra em um barco à deriva em meio a uma tempestade furiosa.

— Imediatamente, percebi algo que os outros não haviam notado: sua pele estava fria ao toque, como se tivesse sido tocada pela sombra de um desespero escondido; seu toque era úmido, à revelia de um suor que não se via, e havia um tremor visível em seu corpo, que se manifestava em mudanças sutis, mas inegáveis, como uma folha que treme ao vento.

Esses sinais eram claros indicativos de seu estado emocional vulnerável, uma fragilidade exposta à luz das lanternas que iluminavam o ambiente.

— Sem pronunciar uma palavra, conduzi Nina comigo, seguindo em direção à suíte Vênus, o caminho que traçamos era ao mesmo tempo um avanço e um retroceder nas suas escolhas.

Ela caminhava ao meu lado em silêncio, carregando não apenas a experiência daquela noite — uma mistura de angustia, expectativa e talvez um vislumbre de esperança — mas também o peso da escolha que a havia trazido até aqui, como um fardo invisível, mas ardente, que a acompanhava a cada passo que dávamos. — Como um gesto de solidariedade, apertei sua mão levemente, um sinal sutil que dizia que ela não estava sozinha naquele momento difícil.

Enquanto refletia sobre as consequências de sua decisão, a expressão em seu rosto revelava a luta interna, como alguém que pondera sobre um caminho que tomou e onde ele realmente poderia levá-la.

—Era uma jornada repleta de incertezas, e naquele instante, na quietude daquela passagem, eu me via não apenas como um protetor, mas como um companheiro em sua travessia por águas desconcertantes.

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