####CAPÍTULO 06

SEBASTIAN

O suave toque da iluminação indireta refletia nas paredes, criando sombras que dançavam de maneira quase etérea, acentuando a tensão do momento.

— Eu ainda segurava a mão dela, que estava fria, suada e trêmula, como se seu corpo traísse a força que ela tentava mostrar, e isso me fez pensar na profundidade do medo e da ansiedade que a envolvia.

Com delicadeza, tirei a venda que cobria seus olhos, um gesto que deveria simbolizar liberdade, mas que, na verdade, parecia entregar-lhe ainda mais vulnerabilidade.

— Ao fazê-lo, percebi as lágrimas acumuladas em seu olhar, um mar de emoções que brilhava à luz suave, simbolizando a luta quase dolorosa que enfrentava para não desabar diante de mim.

Essa reação era inesperada, pois, ao invés de me encorajar, aquele ambiente, que deveria oferecer segurança e proteção, intensificava sua vulnerabilidade, como se estivesse revelando um abismo profundo de incertezas e dores ocultas.

— Você não é obrigada a cumprir nada se não quiser — eu disse, com a voz baixa e firme, desejando proporcionar a ela uma escolha, algo que talvez ninguém tivesse oferecido antes, um ato de respeito em meio ao caos.

Mesmo com os olhos umidos, ela me encarou, e nesse instante, percebi que havia algo mais ali, uma centelha de determinação apesar do sofrimento.

— A força surpreendente que ela demonstrou para alguém em sua posição me deixou sem palavras, como se ela estivesse afirmando sua própria existência através daquela escolha, uma decisão que poderia transformá-lo de mero objeto em alguém com vontade e desejo.

O peso do que estava em jogo pairava sobre nós, e, por um breve momento, a tensão no ar ficou quase palpável, moldando um novo caminho para nosso encontro, enquanto a ideia de consentimento dançava entre nós, vagueando entre as sombras do que um dia poderia ser.

— Não, senhor, eu não posso desrespeitar o que foi combinado. O senhor pagou, e eu preciso cumprir com o acordo.

—Esta será a única vez que usarei meu corpo, mas sou uma pessoa de palavra, como assinei o contrato que não pode ser renegociado.

Mesmo em uma situação tão delicada, sinto que tenho um dever a cumprir, não apenas por mim, mas por aqueles que esperam algo de mim.

— Madame Edith não me forçou a nada; fui eu quem buscou, para saldar uma dívida que me oprimia há dias, e a única forma que encontrei para conseguir o dinheiro foi entregando a minha virgindade, em um leilão.

Sinto um misto de vergonha e alívio, pois, ao mesmo tempo em que tento reconciliar minhas escolhas, percebo que há um controle inesperado sobre minha vida que possibilita uma saída.

— Fico aliviada por saber que o senhor é uma pessoa que respeita e não me despreza por essa fraqueza.

Entretanto, farei questão de cumprir meu compromisso, a menos que o senhor não deseje, mesmo com medo quero honrar o contrato.

— O que mais posso fazer se foi assim que as cartas foram jogadas?

Não posso devolver o dinheiro, pois ele já está com a Madame Edith, e qualquer questão sobre o dinheiro o senhor deve ser resolvida com ela, não comigo.

— É estranho pensar que minha vida virou um jogo de negociações em que minha dignidade é uma moeda de troca.

Eu a observei por alguns instantes, tentando compreender quem estava na minha frente.

— Quantos anos você tem Nina? — indaguei.

— Quase vinte, em dois meses, completo vinte anos— ela respondeu, respirando profundamente, como se buscasse coragem para continuar.

— A fragilidade em sua voz ecoava entre nós, tornando a situação ainda mais pungente.

— Se eu tivesse que entregar isso a alguém um dia, que fosse a um homem como o senhor, um homem bonito e educado, que me trata com respeito, não me despreza por eu estar me sujeitando, a algo que para mim é degradante.

— Essas palavras foram como uma luz em meio à escuridão em que me encontrava; eram uma declaração audaciosa, um desafio às circunstâncias que a cercavam, e eu não pude deixar de me sentir tocado por sua sinceridade.

Ela parecia apenas aceitar sua situação, mas também, a parte de sua jornada de vida, moldando um futuro que, até então, parecia nebuloso.

— Vamos deixar de lado o fato de que o senhor me comprou e, por gentileza, tenha paciência — ela disse, suas palavras carregadas de um peso profundo que ecoava pela pequena sala.

— Quero honrar o acordo que fizemos, mesmo sem experiência, preciso cumprir minha parte no contrato.

— Essa situação despertou algo dentro de mim; não era apenas desejo, mas uma inquietação que me fazia perceber que havia mais em jogo aqui.

Sua firmeza diante de algo tão cruel, como uma árvore que resiste a uma tempestade, me inspirava.

— Era como se, através de sua força silenciosa, você estivesse me mostrando que até nas situações mais sombrias, havia espaço para a dignidade e a esperança.

Assim como nas histórias que me ensinaram a acreditar, onde pessoas se levantam contra adversidades com coragem e caráter, você revelou compaixão ao lidar com o que poderia ser uma situação desoladora, não imagina, o quão de coragem eu tive que ter, para vir até essa casa, vender minha virgindade.

— A dignidade dela em querer cumprir sua palavra, apesar do medo que a cercava, tocou-me profundamente, acendendo uma chama de respeito e admiração que eu não esperava sentir.

Eu sabia que, ao amanhecer, poderia me sentir como um animal, preso em uma armadilha de instintos primitivos, mas, naquele instante, ao olhar para ela — e ao tomar aquela decisão tão cuidadosa — aceitei que aquela noite seria nossa. — Era como um pacto silencioso entre nós, uma animação em meio à opressão do mundo lá fora.

Com um gesto suave, a puxei para perto, beijando-a lentamente, como se cada toque carregasse a promessa de não apenas um encontro físico, mas de um entendimento mais profundo.

— Enquanto soltava as fitas que a prendiam, sentia que não haveria brutalidade, mas sim um respeito mútuo, como um artista que revela uma obra-prima escondida em um bloco de pedra, delicadamente esculpindo a beleza que ali sempre esteve, mas que precisava ser libertada.

Nesse breve instante, o terror da partida se dissipou, e substituímos o medo pelo toque e pela confiança, criando um espaço onde a humanidade pudesse florescer em meio ao infortúnio.

— Conduzindo a situação com calma, permitiu que ela se acostumasse com meu toque e a proximidade que compartilhamos, como um delicado baile em que ambos aprendem a respeitar os limites um do outro.

Era um jogo sutil de sensações, onde cada movimento e respiração se entrelaçam, criando uma atmosfera carregada de expectativa e atração.

— Aos poucos, percebi que seu corpo começava a se soltar, despindo-se da resistência que a envolvia como uma armadura.

O nervosismo dava lugar a uma sensação mais tranquila e receptiva, semelhante a uma flor que, ao amanhecer, se abre lentamente para a luz do sol, revelando suas cores vibrantes e seu perfume suave.

— Pedi que ela participasse ativamente, que não ficasse apenas parada como uma estatueta em exibição, mas que se entregasse à dança do momento.

Mesmo nervosa, estava se esforçando para se abrir, com suas mãos trêmulas e respiração irregular denunciando sua ansiedade, cada suspiro revelando uma mistura de medo e expectativa que era quase palpável.

— Em um momento de conexão, ela me olhou com um misto de surpresa e apreensão, seus olhos refletindo uma vulnerabilidade que me comoveu.

"Isso não se encaixa," ela deixou escapar quase involuntariamente, como se lutasse contra uma onda que a arrastava para longe da segurança que sempre conhecera.

— Isso me fez sorrir levemente, um sorriso que buscava transmitir não apenas conforto, mas a certeza de que tudo ficaria bem.

"Vai," falei suavemente, aproximando-me dela, como um amigo que incentiva outro a superar seu medo.

"Você vai conseguir, pois terei cuidado entendeu?

— Vou com calma, e cuidarei de você como merece."

Minhas palavras flutuam no ar entre nós, fortes e suaves ao mesmo tempo, uma promessa de que estava ali para ensinar a arte do amor através do desconhecido, segurando sua mão, pronto para levá-la a um lugar onde as inseguranças pudessem ser deixadas de lado, mesmo que apenas por um instante.

— Assim, o que começou como um simples acordo foi se desenvolvendo lentamente, como um rio que serpenteia pela terra, encontrando seu caminho sem pressa nem imposições.

Cada passo que dávamos juntos era como a construção de uma ponte, sólida e segura, que nos permitia atravessar as incertezas e os medos que antes nos separavam.

— Eu preparava o ambiente com cuidado, selecionando toques sutis de luz suave e uma trilha sonora que acalmava o coração, assegurando que ela se sentisse segura, como um abrigo acolhedor em meio à tempestade de suas emoções.

Gradualmente, seu medo começou a se dissipar, como neblina sob o sol da manhã, e pequenos sorrisos surgiam em seu rosto, revelando um entusiasmo oculto.

— Ela começou a responder, a se libertar das amarras que a prendiam, mostrando um lado dela que talvez nunca tivesse sido revelado antes.

Aquela noite se transformou em algo muito mais profundo e significativo, um crescimento mútuo que ambos eternizamos em nossas memórias, um marco em nossa história compartilhada que reverbera em nossos corações como um eco doce e vibrante.

— A conexão que se formava era uma tapeçaria intricada, tecida com os fios de vulnerabilidade, confiança e descoberta, e eu sabia que estávamos apenas no começo de uma jornada que prometia ser extraordinária.

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