CAPÍTULO 58 — ASCENSÕES PARALELAS
Helena nunca imaginou que um dia voltaria para a filial com o coração tão dividido. Quando recebeu a transferência, parecia uma sentença, um lembrete cru de que Arthur tinha decidido afastá-la — por mais que dissesse que era “para protegê-la”. Mas semanas haviam se passado desde então, e algo inesperado havia acontecido dentro dela.
Ela estava renascendo.
A filial, antes pequena e negligenciada pela matriz, tornara-se seu novo território. No início, os olhares desconfiados, as perguntas secas e a distância dos colegas pareciam espinhos, mas Helena logo mostrou a que veio. Trabalhou dobrado, reorganizou processos, implementou parte do projeto das bolsas para mães solteiras adaptado à realidade local, e em pouco tempo, todos começaram a vê-la não como “a funcionária deslocada de última hora”, mas como um pilar.
— Helena, conseguimos fechar aquele contrato graças às suas mudanças — disse o diretor da filial certa manhã, visivelmente impressionado. —