CAPÍTULO 31 — LINHAS QUEBRADAS
A atmosfera na empresa estava estranhamente pesada naquela manhã.
Funcionários evitavam o olhar de Arthur assim que ele atravessava o corredor, como se pressentissem que algo estava prestes a explodir. Murmúrios discretos acompanhavam seus passos. Não era segredo para ninguém que ele tinha passado dos limites na noite anterior — chegar furioso, pegar documentos às pressas, sair sem avisar ninguém.
E agora, ali estava ele, com o maxilar travado e uma expressão que ninguém ousaria interpretar como tranquila.
A reunião com o conselho começaria em cinco minutos.
Uma reunião em que o pai dele também estaria.
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Helena chegou alguns minutos mais tarde, tentando manter a postura habitual, mas Arthur reparou: ela estava exausta. Círculos discretos sob os olhos, ombros rígidos, passos calculados. Mesmo assim, trajava a roupa impecável e o olhar concentrado de sempre.
— Dormiu um pouco? — Arthur perguntou num tom baixo, gentil.
Ela não olhou para ele.
— O suficie