Pablo
O clima no carro já tava pesado fazia horas. Melinda olhando pela janela, bufando. Eu respirando fundo pra não estourar.
– Papo sério que tu tá bolada comigo? – perguntei, virando o rosto pra ela.
– Não fala comigo. – Ela abriu a porta do carro e bateu com força. A porta tremeu.
Desci atrás, puto, peguei um cigarro, bati ele contra a mão e acendi. A primeira tragada entrou queimando no pulmão.
– Essa porra toda me estressando… – murmurei.
O celular vibrou.
Ligação:
– Fala.
– Que dia tu vai vir daqui? – Tales perguntou já no tom de desespero.
– Segunda-feira. – soltei a fumaça devagar.
– Os bagulho aqui tão sinistro, ladrão.
– Quando eu chegar, coloco tudo em ordem. – respondi encarando Melinda pela janela. Ela tava com a expressão fechada, braços cruzados, nem mexia.
– Como tão as coisas aí? – Tales perguntou.
– Cara… a Melinda tá me tirando do sério.
– Novidade! – ele riu alto.
– Não ri não, porra.
– Tá, vou dar um jet na favela.
– É ficha.
Desliguei.
Entrei em casa atravessand