Capítulo 62

Melinda Narrando.

Tá vendo? Isso é o que dá ser gentil e amável. Esses machos não levam a gente a sério. Que ódio.

Pra piorar, ainda tenho que organizar o Baile do Shortinho da favela. Já convoquei todas as garotas pra competição. Eu nem me comovo: se eu fosse competir, ganhava fácil.

Júlia disse que vai participar, já que não tá mais com o Tales. Ouvir dizer que ele tá pegando uma mina do asfalto… Já peguei ranço.

— Então, meninas, ganha quem tiver o short mais curto e chamativo! Quero geral arrasando — anuncio.

— Eu vou ganhar essa! — Júlia diz toda cheia.

— Vamos ver! — outra rebate.

— Adoro uma rivalidade — bato palmas rindo. — Lembrando que quem ganhar ou não, vai levar um brinde.

— Amiga, posso falar contigo? — Júlia me puxa sem esperar resposta, parecendo uma louca varrida.

— Onde dói? — pergunto já suspeitando.

— Aqui. — Ela coloca a mão na barriga.

— Mentira sua piranha! — grito passada, e ela tampa minha boca.

— Cala a boca, vadia! — ela ri.

— Porra, vadia? Tu foi longe, hei
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