Melinda Narrando.
Tá vendo? Isso é o que dá ser gentil e amável. Esses machos não levam a gente a sério. Que ódio.
Pra piorar, ainda tenho que organizar o Baile do Shortinho da favela. Já convoquei todas as garotas pra competição. Eu nem me comovo: se eu fosse competir, ganhava fácil.
Júlia disse que vai participar, já que não tá mais com o Tales. Ouvir dizer que ele tá pegando uma mina do asfalto… Já peguei ranço.
— Então, meninas, ganha quem tiver o short mais curto e chamativo! Quero geral arrasando — anuncio.
— Eu vou ganhar essa! — Júlia diz toda cheia.
— Vamos ver! — outra rebate.
— Adoro uma rivalidade — bato palmas rindo. — Lembrando que quem ganhar ou não, vai levar um brinde.
— Amiga, posso falar contigo? — Júlia me puxa sem esperar resposta, parecendo uma louca varrida.
— Onde dói? — pergunto já suspeitando.
— Aqui. — Ela coloca a mão na barriga.
— Mentira sua piranha! — grito passada, e ela tampa minha boca.
— Cala a boca, vadia! — ela ri.
— Porra, vadia? Tu foi longe, hei