A madrugada parecia não ter fim. A chuva fina continuava a cair, tamborilando no vidro da pequena sala do apartamento de Julia, como se quisesse marcar cada minuto de vigília que Cecília atravessava. Enrolada em uma manta no sofá, ela permanecia imóvel, os olhos fixos no teto. O corpo pedia descanso, mas a mente estava em chamas.
As palavras trocadas com Enrico ecoavam em sua cabeça, como farpas que não encontravam saída. A cena dele socando a mesa, o olhar carregado de raiva e mágoa, a forma co