Entro no quarto novamente e fecho a porta com cuidado.
Encosto as costas nela por um instante, fechando os olhos. Meu coração ainda bate rápido. Não por culpa exatamente, mas por uma sensação incômoda de que toquei a superfície de algo muito maior do que eu.
Mercadorias.
A palavra ecoa na minha mente com um peso estranho. Fria. Impessoal. Não combina com contratos empresariais comuns, nem com a imagem impecável de CEO que Matteo apresenta ao mundo. E, ainda assim, combina demais com o silêncio, com as reuniões secretas, com os homens que o tratam com respeito quase reverencial.
Caminho até a janela e observo o jardim perfeitamente cuidado. Tudo naquela casa é belo, caro, organizado… mas agora vejo outra camada por baixo disso tudo. Uma estrutura invisível que não me foi apresentada — e que talvez eu não devesse conhecer.
Sento-me na beirada da cama, cruzando os braços sobre o corpo.
Penso em Matteo na noite anterior. No controle absoluto. Na forma como ele escolhe cada palavra, cada g