A porta do quarto se abre com cuidado, mas o som ainda assim me desperta. Abro os olhos devagar, desorientada pelo escuro, até reconhecer a silhueta de Matteo entrando. Ele fecha a porta atrás de si e permanece parado por alguns segundos, como se estivesse tentando se localizar no próprio corpo.
Algo está errado.
Ele parece… agitado. Os movimentos não têm a precisão habitual. Há um peso nos ombros, uma tensão diferente, quase dispersa. Matteo De Luca nunca parece aéreo — mas agora parece.
Sento-me na cama.
— Matteo? — chamo em voz baixa.
Ele vira o rosto na minha direção, os olhos verdes menos focados do que de costume.
— Está tudo bem — diz rapidamente. — Volte a dormir.
A resposta é automática demais.
Levanto-me.
O chão está frio sob meus pés quando me aproximo. Ele dá dois passos para dentro do quarto e, de repente, o corpo vacila. Por um segundo, tenho a clara sensação de que ele vai cair.
Seguro-o no reflexo.
Minhas mãos se fecham em seus braços, firmes, impedindo que ele perca