Mundo ficciónIniciar sesiónFerida, faminta e à beira do colapso, Zara Moraes atravessa a floresta gelada movida apenas pelo instinto de sobreviver. Depois de horas perdida entre neve e sombras, ela encontra uma cabana isolada no alto da montanha. Mas o lugar não está abandonado. A cabana pertence a Alexandre Montenegro, o homem mais temido da Europa. Frio, calculista e implacável, ele construiu um império onde controle é lei e sentimentos são uma fraqueza mortal. Loiro, de olhos azuis tão frios quanto o gelo, Alexandre parece um anjo feito para destruir. E, ao encontrar Zara, algo dentro dele muda pela primeira vez em anos. Ela é sobrevivência. Ele é obsessão. O que nasce entre os dois é perigoso, intenso e impossível de controlar um vínculo onde desejo, proteção e domínio se misturam em meio a segredos, violência e sombras do passado.
Leer másZara Moraes As palavras têm peso. Algumas ferem. Outras curam. E algumas só fazem sentido quando duas pessoas lhes dão o mesmo significado. Naquela noite, eu descobriria que pertencer a alguém não significava perder a própria liberdade. Significava escolher, todos os dias, caminhar ao lado dessa pessoa. Depois de dias marcados por reuniões, ataques e estratégias, o castelo viveu uma noite incomum. Helena insistiu para que todos jantassem juntos. Sem mapas sobre a mesa. Sem relatórios. Sem rádios ligados. Matteo foi o primeiro a reclamar. — Aposto que ninguém consegue ficar uma hora sem falar de guerra. Samuel sorriu discretamente. — Eu consigo. — Mentiroso — respondeu Dante, arrancando algumas risadas. Pela primeira vez em muito tempo, o ambiente parecia leve. Eu observava Alexandre. Mesmo cercado pelas pessoas em quem confiava, seus olhos continuavam atentos. Como se nunca deixassem de proteger. Quando nossos olhares se encontraram, ele sorriu de leve. Um sorri
Zara Moraes A confiança era o bem mais valioso dentro do Império Montenegro. Mais valiosa que ouro. Mais valiosa que armas. Mais valiosa que poder. Porque dinheiro podia ser recuperado. Territórios podiam ser reconquistados. Mas um homem que traía a própria família era capaz de destruir décadas de trabalho em uma única noite. Depois dos ataques de Nikolai Volkov, Alexandre passou a desconfiar de uma única possibilidade que todos temiam admitir. O inimigo talvez não estivesse apenas do lado de fora. Talvez já estivesse entre nós.**** Naquela manhã, o castelo despertou diferente. Os corredores estavam silenciosos. Os seguranças pareciam mais atentos. As portas das alas estratégicas permaneciam fechadas. Quando encontrei Helena no salão principal, percebi que ela também havia notado a mudança. — O que aconteceu? Ela respirou fundo. — Alexandre convocou todos os líderes da organização. Franzi a testa. — Todos? Ela apenas confirmou com a cabeça. Aquilo nunca acontec
Alexandre Montenegro Existem homens que escolhem o próprio destino. E existem homens cujo destino é escolhido antes mesmo do primeiro choro. Eu pertencia à segunda categoria. Antes de aprender a escrever meu nome, já carregava um sobrenome que despertava respeito e medo. Antes de entender o significado da palavra responsabilidade, já me diziam que um dia eu comandaria o Império Montenegro. Eu nunca perguntei se queria aquilo. Ninguém perguntou. **** O amanhecer encontrou o castelo coberto por uma espessa camada de neve. As primeiras luzes atravessavam os vitrais do grande salão, iluminando o antigo brasão da família Montenegro esculpido em pedra. Parei diante dele por alguns segundos. Quando era criança, costumava olhar para aquele símbolo com admiração. Hoje, via apenas o peso que carregava. Atrás de mim, ouvi passos conhecidos. — Você faz isso desde pequeno. Era Helena. Sorri discretamente. — Você lembra? Ela aproximou-se. — Lembro de tudo. Você passava horas p
Zara Moraes Algumas famílias escondem joias. Outras escondem dinheiro. A família Montenegro escondia segredos. E os segredos eram muito mais perigosos. Desde que passei a viver no castelo, percebi que existiam lugares onde quase ninguém entrava. Uma ala antiga permanecia sempre fechada. Alguns corredores eram evitados pelos funcionários mais antigos. E, sempre que eu perguntava sobre o passado da família, as respostas terminavam cedo demais. Como se certas histórias nunca devessem ser contadas. Naquela manhã, Helena me convidou para tomar chá na antiga biblioteca. Era um lugar diferente da biblioteca principal. Menor. Mais silencioso. As estantes eram ocupadas por livros centenários, fotografias antigas e caixas de documentos. Helena parecia inquieta. Enquanto preparava o chá, permaneceu em silêncio. Algo incomum para ela. — Está tudo bem? — perguntei. Ela sorriu de forma discreta. — Não sei. A resposta me surpreendeu. Sentamo-nos perto da lareira. A neve caía
Último capítulo