56. Raiva sob a mesa
O salão estava iluminado demais. Lustres de cristal refletiam em cada taça de champanhe, e a música de fundo — um jazz suave — soava como se fosse feita para lembrar que eu não pertencia àquele lugar.
Ainda assim, lá estava eu. De vestido vermelho, salto alto e um sorriso ensaiado. Miguel caminhava ao meu lado com naturalidade, cumprimentando pessoas, trocando apertos de mão, como se tivesse nascido para aquele ambiente.
— Está tudo bem? — ele perguntou, inclinando-se levemente, a voz baixa,