45. Perseguidor
A sensação de estar sendo observada me acompanhou até dentro do apartamento. Tranquei a porta duas vezes, mas o coração não desacelerou. O silêncio, antes um alívio, agora parecia uma prisão.
Joguei a bolsa no sofá e caminhei pelo espaço bagunçado — reflexo dos dias em que mal vinha dormir, entre turnos no hospital. Um canto cheio de roupas amarrotadas, pratos empilhados na pia, cortinas mal fechadas. Não era “meu lar”. Era apenas um refúgio temporário. E, de repe