101. Olhos em todo lugar
A manhã nasceu cinza, meio preguiçosa.
E eu também.
Passei a madrugada revirando na cama, entre o arrependimento e o desejo. Quando finalmente aceitei que dormir era impossível, percebi que Dante não estava em parte alguma da casa.
Nem um bilhete.
Nem um ruído.
Nada.
O silêncio dele era pior que qualquer discussão.
Desci de robe, o chão gelado sob os pés, e encontrei apenas Lara na cozinha — descabelada, servindo café como quem precisava dele pra sobreviver.
— Dormiu? — ela perguntou, já sabend