A tarde caía lentamente pela janela do quarto. O céu estava pintado com tons de dourado e rosa, como se até ele tivesse decidido ser gentil naquele dia. A cidade, apesar de pulsar vida, parecia silenciosa. Lia estava sentada na varanda dos fundos, enrolada em uma manta fina, sentindo o cheiro do café recém-passado que Rafael havia feito.
O corpo ainda doía — não de forma aguda, mas com aquele cansaço que só quem passou por longas batalhas conhece. Nove meses em coma deixaram marcas silencios