Mundo de ficçãoIniciar sessãoThaís é chamada à sala da presidência. Vai com o coração apertado, convencida de que vai ser dispensada. Do corredor até a porta de vidro parece mais longo do que o normal; o som dos seus saltos ecoa no mármore, e ela alisa a saia do blazer tentando acalmar as mãos suadas. Ela chega até a sala, entra, mantém a cabeça baixa e fala com formalidade: — Bom dia, Sr. presidente. A sala é ampla, com uma janela que vai do chão ao teto. O aroma leve de café e madeira paira no ar, e Alex está de pé ao lado da mesa, com seu terno impecável. Ele a observa por um segundo antes de falar. — Gostaria que você fosse minha nova secretária pessoal. Thaís ergue o olhar devagar. Quando os olhos deles se encontram, o reconhecimento a atinge como um clarão. A lembrança da noite anterior — o soco que ele deu para defendê-la, o convite para dançar — volta de repente, e o coração dela dispara. — S-s-sim… eu aceito, Sr. presidente — ela responde, a voz tremendo um pouco. — Serei sua nova secretária. Ela ainda está surpresa, um pouco nervosa e encantada ao mesmo tempo. A ficha finalmente cai: o seu herói da noite passada não é ninguém mais, ninguém menos que Alex Santiago, o imponente e poderoso CEO da empresa.
Ler mais_ Até que não ficou ruim — murmurou Thaís, parada diante do grande espelho que ficava ao lado da cama, os olhos baixos, como se avaliasse a própria imagem com desconfiança.
— Oi? Como assim “até que não ficou ruim”? Às vezes eu acho que você faz isso de propósito, Thaís! — Ana bufou, irritada, cruzando os braços, a voz carregada de uma impaciência afetuosa. Thaís se virou devagar, ficando de frente pra amiga, a testa levemente franzida, a expressão genuinamente confusa, como quem realmente não entendia a provocação. Ana não aguentou. A raiva derreteu no mesmo instante, dando lugar a um olhar mais terno. Ela estava sentada na cama, observando Thaís pelo reflexo, mas se levantou num movimento suave, foi até ela e segurou suas mãos. Ficou ali, encarando o rosto da amiga de perto, como se quisesse que ela enxergasse o que seus próprios olhos se recusavam a ver. — Amiga... olha. — disse, guiando Thaís de volta ao espelho. — Você é a garota mais linda que eu já vi na vida. Com esse vestido e essa maquiagem, você está ainda mais linda. Como é que você consegue não perceber isso? Ana e Thaís são melhores amigas desde que ambas se conheciam por gente. As duas estão se arrumando para um evento na empresa onde elas começaram a trabalhar a pouquíssimo tempo. Ana é uma garota bastante extrovertida e segura de si, tem bastante autoestima e sempre teve noção do quanto é bonita, ela é uma garota padrão, tem cabelos castanhos escuros na altura da cintura, olhos castanhos claros, altura mediana, seios médios e belas curvas. Thaís é loira e ao contrário de Ana, seus cabelos são na altura dos ombros, tem olhos castanhos claros um pouco mais acesos do quê o da amiga, cintura fina, seios pequenos, duros e redondos e curvas bem distribuídas em seu corpo pequeno. Apesar de sua beleza encantadora e de sempre receber todo tipo de elogio por onde passa. Essa incrível garota chamada Thaís que acabou de completar dezoito anos e conquistar seu primeiro emprego, possui uma humildade tão pura e verdadeira que não vê nada de mais em sua própria parência. Ela vê beleza em tudo, na natureza, no céu, na lua, aos olhos dela, tudo ao seu redor brilha, sendo assim, ela não vê nenhuma diferença nas aparências das pessoas, ela se olha no espelho e vê apenas uma pessoa normal, o que deixa Ana as vezes incrédula e chateada, mas, no fim ela lembra que sua melhor amiga sempre foi assim. _ Obrigado Ana... _ Thaís fez uma pausa e desviou os olhos para amiga, observou um pouco e continuou _ Eu agradeço o elogio, mais pra me, a garota mais linda do mundo é essa aqui do meu lado. Ana pensou em dizer mais algumas coisas, mas, analisando bem a personalidade de Thaís ela achou melhor deixar pra lá. _ Tá certo sua chata, vindo de você eu aceito, agora vamos rápido pra a gente não se atrasar pra nossa primeira festa na empresa. _ Sim, vamos logo, meu pai vai levar a gente. NA FESTA DA EMPRESA... O salão da festa pulsava. Cristais nos lustres espalhavam reflexos dourados sobre o piso de mármore, e o aroma de perfume caro se misturava ao cheiro suave de comida recém-servida. Homens de terno impecável, mulheres em vestidos que brilhavam a cada passo — todos pareciam saídos de uma revista — celebravam a conclusão do novo projeto, o maior que a empresa já entregara. No centro do palco, recebendo aplausos e olhares reverentes, estava o presidente Alex Santiago. O CEO Imponente e poderoso, um homem de postura. Nunca jogava para perder. Tinha poucos amigos, alguns aliados leais e rivais que evitavam cruzar seu caminho. Só alguém com muito pouco apreço pela própria vida ousaria declarar inimizade a ele. Alex não era amigável; seu semblante era fechado, quase uma muralha de pedra. Mas quem o conhecia sabia: Se não houvesse falsidade ou jogo sujo, ele era justo, rigoroso até o último centímetro. Thaís juntamente com Ana chegou acompanhada de Armando, seu pai e um dos motoristas mais antigos da empresa. Foi por indicação dele que as duas conseguiram seu primeiro emprego nessa empresa. Como a presença era obrigatória para todos os funcionários, Armando pediu permissão ao chefe para buscá-las no carro da empresa. Não era permitido, mas depois de exatos vinte anos de trabalho impecável, dedicação silenciosa e pontualidade inquestionável, o chefe consentiu num aceno breve. — Meninas, fiquem perto de mim — murmurou Armando, baixando a voz para não assustá-las, mas sem esconder a preocupação. — Vocês têm pouco tempo aqui, ainda não conhecem todo mundo. Cuidado. Tem gente muito poderosa nessa sala. Ele sabia que, como em todo lugar, havia gente boa e gente má. Queria que elas se enturmassem, mas o coração apertava só de pensar que poderiam arrumar inimigos. Eram jovens, bonitas, com aquele brilho inocente que atrai tanto admiração quanto inveja. Cada passo dele naquele salão era um passo a mais de apreensão. — Não se preocupe, pai — Thaís apertou a mão dele, tentando transmitir segurança. — A Ana e eu já temos idade, sabemos nos defender. E o senhor nos conhece: somos boas meninas. Armando relaxou o rosto, mas não os ombros, e apertou a mão da filha com carinho. — Claro que são. Ele conhecia o caráter das duas como conhecia as próprias mãos. Thaís era sangue do seu sangue; Ana era quase. Vivera na casa dele desde pequena. Ana era filha de Lúcia, sua vizinha e melhor amiga da sua ex-esposa. Lúcia era viúva; o marido, Carlos, morrera num acidente de trabalho quando Ana tinha apenas dez anos. Desde então, Armando assumira o papel de pai, acompanhando-a em reuniões escolares, formaturas, festas — sempre ao lado de Thaís, sem nunca fazer distinção. Fazia isso com cautela e respeito, para que Ana jamais pensasse que ele queria usurpar o lugar do pai. O que ele não sabia era que, no coração de Ana, os dois ocupavam o mesmo espaço.Encostado.Como se já soubesse exatamente o horário dela.Ela não parou imediatamente.Só desacelerou.— Você? — ela disse.Ele sorriu.— Eu sempre estive aqui. Só agora você começou a reparar?Ela não respondeu.— O que você quer?Vinícius não respondeu direto.Olhou ao redor primeiro.Como quem mede risco.— Você sabia que eu e o Alex estudamos juntos?Silêncio.Thaís sustentou o olhar.— Não.— A gente era amigo — ele continuou. — Trabalhamos juntos no Projeto Zona Sul.Pausa.— Até ele decidir ficar com tudo.Ela respirou fundo.Sem mudar a postura.— Isso não me interessa.Vinícius inclinou a cabeça.— Ainda não.Ela virou levemente o corpo, pronta pra sair.Mas ele ainda falou, mais baixo:— Esse é o homem que você acha íntegro?Thaís parou.Só isso.Parou.E respondeu sem elevar o tom:— Eu não preciso que você me explique quem ele é.E foi embora. Sem correr. Sem olhar pra trás.Vinícius ficou sozinho por alguns segundos. Depois também foi.E Thaís caminhou.Firme.Controlada.
— Era da posição.Ela mexeu na colher sem usar.— De estar presa num contrato onde eu virasse só uma coisa.Pausa curta.— E ninguém pudesse fazer nada.Ela respirou fundo, mas não perdeu o controle.— Isso sim dava medo.Olhou pra ele agora.— Não ele.— A situação.Alex não interrompeu. Só ficou olhando.Como se estivesse confirmando algo que já sabia, mas agora com palavras dela.Thaís encostou as costas na cadeira. O tom dela suavizou um pouco.— Eu já resolvi isso.— Com ajuda.— Com o tempo.— Mas resolvi.Ela deu de ombros.— Hoje… eu entendo o que aconteceu comigo.— E entendo o que não era minha culpa.Silêncio.— E nem sua.Essa última frase ficou no ar por mais tempo.Quando terminaram de comer, o clima entre eles já não era pesado.Era… limpo.Como se alguma coisa tivesse sido colocada no lugar certo.---No carro de volta, a cidade passava tranquila do lado de fora.Alex dirigia com uma mão só no volante.Thaís olhava a rua sem pressa.---Antes de chegarem, ele falou:—
— EU VOU BATER!— Não vai.— VAI SIM!— Vai não.E então, de repente, o carro andou.De verdade.Uns dois, três metros.Thaís soltou um grito misturado com riso:— EU NÃO ACREDITO QUE EU CONSEGUI!Ela olhou pra ele, olhos arregalados, rindo sem controle.Alex só observava.Com aquela expressão leve que ele quase nunca mostrava por muito tempo.Como se estivesse vendo algo precioso demais pra interromper.— Tá bom — ele disse calmo. — Agora vai devagar.— MAIS DEVAGAR?!— Mais devagar.— EU TÔ DEVAGAR!— Tá rápido.Ela começou a rir mais ainda.O carro indo em linha reta, torto só na ansiedade dela.Alex apontava pequenas coisas.— Mantém.— Relaxa o ombro.— Isso, assim.— Isso é impossível!— Não é.— É sim!— Tá indo bem.— Você fala isso pra todo mundo que quase mata você?— Só pra você.Ela riu de novo, mais leve agora.O medo já tinha virado adrenalina.E então Alex, como se fosse a coisa mais normal do mundo, pegou o celular.— Não.— Sim.— ALEX!Ele já estava filmando.— Você
Só ficou olhando mais do que precisava.Depois, sem pensar muito, colocou a foto como papel de parede. Como se fosse uma decisão simples demais pra virar pensamento longo.E de vez em quando, no meio do dia, quando o mundo apertava demais ou ficava normal demais…os dois olhavam.Sem combinar.Sem avisar.Só olhavam.E seguiam.********VINÍCIUS TÁ DE VOLTA. O telefone de Alex tocou no meio da tarde.Ele não precisou olhar o nome para saber que não era algo comum.Atendeu com a mesma calma de sempre.— Fala.Do outro lado, a voz veio direta, sem rodeios.A notícia chegou em poucas frases.Vinícius tinha conseguido prisão domiciliar.Não estava solto.Mas também não estava exatamente preso como antes.Havia restrições.Monitoramento.Movimento limitado.Alex ficou em silêncio por alguns segundos.Não foi surpresa.Mas também não foi irrelevante.— Entendi — ele respondeu, por fim.A ligação seguiu com detalhes técnicos.Ele ouviu tudo.Sem interromper.Sem mudar o tom.Quando desligou





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