Mundo de ficçãoIniciar sessãoDandara sempre acreditou ter uma vida perfeita, mas por trás das aparências, seu casamento é cheio de conflitos e dores. Quando tudo parece desmoronar, ela encontra forças para recomeçar e seguir em frente. No meio desse processo, um reencontro inesperado com um amor de infância faz seu coração bater mais forte novamente. Entre escolhas difíceis, segredos e recomeços, Dandara descobrirá que o verdadeiro amor pode estar onde menos se espera
Ler maisDandara Guimarães
Meu nome é Dandara Guimarães. Tenho 27 anos, sou morena, de cabelos longos e olhos castanhos claros. Tenho 1,57 de altura e um corpo que costuma chamar atenção por onde passo, embora hoje isso não signifique o mesmo para mim. Sou casada com Heitor há seis anos. Nos conhecemos na faculdade, quando eu cursava Administração de Empresas. Ele me conquistou com facilidade. Moreno, alto, com cerca de 1,80, olhos castanhos escuros e um charme que parecia impossível de ignorar. Naquela época, ele era tudo o que eu achava que queria. Namoramos por um ano até que ele me pediu em casamento. Eu aceitei sem hesitar. Minha família nunca aprovou esse relacionamento. Sou a filha caçula e a única mulher entre três irmãos. Tenho dois irmãos gêmeos que sempre foram meus melhores amigos, e talvez por isso tenham percebido coisas que eu escolhi ignorar. Depois do casamento, tudo mudou. Heitor deixou de ser o homem que eu conheci e passou a mostrar quem realmente era. O que antes parecia cuidado se transformou em controle. O que parecia amor virou agressividade, ciúmes e ambição. Em menos de um mês de casados, começaram as torturas psicológicas. Ele criticava minhas roupas, dizia que eram curtas demais. Se eu conversasse com qualquer homem, ele me ofendia, me diminuía, dizia que eu não era bonita e que poderia encontrar alguém melhor na rua. Com o tempo, comecei a acreditar. Desenvolvi crises de ansiedade, passei a me enxergar com desprezo e abandonei tudo o que um dia gostei em mim. Troquei minhas roupas por peças largas, tentando me esconder do mundo — e de mim mesma. Minha família percebeu que algo estava errado. Tentaram se aproximar, conversar, entender. Mas eu mentia. Dizia que estava tudo bem. Eu escondia o inferno que vivia. E, pouco a pouco, fui me afastando de todos, para que ninguém descobrisse a verdade. Bernardo Montalvão Meu nome é Bernardo Montalvão. Tenho 35 anos, sou negro, tenho 1,90 de altura, olhos verdes e cabelos cacheados. Sou solteiro. Já vivi uma decepção amorosa que poderia ter me fechado para o amor, mas não deixei que isso acontecesse. Apenas ainda não encontrei alguém que realmente valesse a pena. Enquanto isso, sigo vivendo, sem me prender. Moro em Londres há quinze anos, onde comando a empresa da minha família. Sempre tive o apoio dos meus pais em todas as minhas decisões, e nossa relação é sólida. Tenho uma irmã mais nova, com quem sou extremamente próximo. Decidi sair do Brasil aos 20 anos, logo após descobrir a traição da minha então namorada. Foi o suficiente para me fazer ir embora sem olhar para trás. Em Londres, iniciei minha formação em Economia e Administração de Empresas e construí a vida que tenho hoje. No começo, a distância da minha família foi difícil. Mas criamos uma rotina: a cada seis meses, nos encontramos e aproveitamos o tempo juntos. Hoje, no entanto, tudo pode mudar. Recebi uma ligação do meu pai pedindo que eu volte ao Brasil para assumir a matriz da empresa. Ele quer se aposentar e viajar pelo mundo com a minha mãe. Voltar significa revisitar memórias que eu preferia manter enterradas. Inclusive, algumas pessoas. Minha ex ainda tenta contato. Liga, insiste, reaparece. Mas, para mim, isso já acabou. Traição não tem perdão. Juliana Ferraz Meu nome é Juliana Ferraz. E eu cometi um erro que custou caro. Traí Bernardo Montalvão — o único herdeiro de uma das famílias mais tradicionais e ricas do país, ao lado da família Guimarães. Eu sabia exatamente quem ele era quando me aproximei. E sabia o que estava fazendo. Meu envolvimento nunca foi por amor. Foi interesse. Ambição. Um plano calculado para garantir um futuro confortável. Mas subestimei uma coisa: as consequências. Bernardo não é o tipo de homem que aceita traição. E, quando ele colocou um ponto final, não houve espaço para arrependimentos. Agora, tudo o que me resta… são as escolhas que fiz. E o preço que ainda vou pagar por elas.A casa de Dandara estava cheia, barulhenta, viva do jeito que sempre foi. A mãe dela organizava a mesa enquanto conversava com o marido, que opinava em tudo como se estivesse resolvendo um grande problema. Na sala, Blenda dominava a conversa com facilidade, e Théo, largado no sofá, implicava com cada frase como se fosse parte essencial do ambiente. Guilherme observava em silêncio, como de costume, enquanto Bernardo assistia a tudo com tranquilidade, encostado na parede. Dandara estava no meio de tudo, leve, presente, sorrindo sem esforço.Até a porta abrir sem aviso.— Eu espero que ainda tenha café, porque atravessar um oceano merece, no mínimo, uma recepção decente.A voz entrou antes da pessoa, firme e natural, como se nunca tivesse deixado de existir ali. Dandara virou na hora. Não foi surpresa, foi reconhecimento. Maria Clara estava parada na entrada, óculos escuros, postura segura, exatamente como alguém que não pede espaço — ocupa. Tirou os óculos com calma, e o olhar encontrou
Um mês.Trinta dias de tentativas, de armadilhas, de jogos silenciosos e estratégias cuidadosamente calculadas. Mas nada havia funcionado.Porque, ao contrário do que Juliana e Heitor esperavam, o que deveria afastar apenas aproximava ainda mais Bernardo e Dandara.E então veio a última tentativa.A mais direta. A mais baixa.Bernardo chegou primeiro ao local combinado. Escolheu uma mesa afastada, em um ambiente discreto, como se já soubesse que aquele encontro não teria volta. Ele queria encerrar aquilo de uma vez.Quando Juliana chegou, trazia o mesmo sorriso ensaiado de sempre, confiante demais, como alguém que ainda acreditava ter controle sobre o jogo.— Sabia que você viria.— Vim acabar com isso — ele respondeu de imediato, sem abertura para qualquer manipulação.Ela se sentou e o observou por alguns segundos. Foi então que viu, por cima do ombro dele, refletida no vidro da janela, a imagem que mudaria tudo.Dandara.Do lado de fora.Parada.Observando.E naquele instante Julia
Os dias seguintes começaram normais demais.E talvez esse tenha sido o primeiro sinal de perigo.Porque o mal raramente chega fazendo barulho.Às vezes…ele entra em silêncio.Como suspeita.Como coincidência.Como detalhe.Dandara saía da terapia quando percebeu um carro escuro parado do outro lado da rua.Não era a primeira vez.Tinha visto o mesmo modelo dois dias antes perto do jiu-jítsu.No estacionamento da farmácia.Agora ali.Parado.Como esperando.Seu corpo reagiu antes da razão.O estômago apertou.Ela puxou o celular.Ligou para Bernardo.— Você pode vir me buscar?A voz saiu baixa.Controlada.Mas ele ouviu.Na hora.— O que aconteceu?— Acho que estou sendo seguida.Silêncio.Do outro lado da linha…mudança instantânea.Bernardo não fez perguntas demais.— Fica onde está.Estou indo.Quinze minutos depois ele chegou.Saiu do carro sem desligar direito.Olhos varrendo a rua.Tensão visível.Mas o carro escuro já não estava.Dandara abraçou ele antes de falar qualquer cois
O bar do hotel era o tipo de lugar que passava despercebido para quase todo mundo. Luzes baixas refletiam nos copos de cristal. Os vidros escuros escondiam a cidade do lado de fora e criavam a sensação de que o mundo terminava ali, entre conversas abafadas e segredos sussurrados. Era um lugar feito para encontros discretos. Para negociações. Para pessoas que tinham algo a esconder. Juliana estava sentada em uma mesa próxima à janela quando Heitor chegou. Ela não se levantou. Não sorriu. Não houve qualquer formalidade. Apenas um olhar. Um reconhecimento silencioso entre duas pessoas que já haviam atravessado uma linha da qual não existia retorno. Heitor puxou a cadeira à frente dela e se sentou. Durante alguns segundos, nenhum dos dois falou. Observavam-se. Estudavam-se. Como jogadores experientes analisando o adversário antes do primeiro movimento. Juliana foi a primeira a quebrar o silêncio. — Ele está apaixonado. A voz saiu calma, mas carregava alg
Último capítulo