Anton não sabia dizer há quanto tempo estava ali, porque naquele lugar o tempo parecia uma coisa inexistente. O corpo dele doía, cada músculo reclamando como se tivesse sido rasgado por dentro, e a garganta estava seca demais para engolir direito.
Ele tentou puxar o ar com força, mas o cheiro de umidade e sangue grudado nas paredes invadia os pulmões como veneno. Os braços estavam presos acima da cabeça, amarrados por algo que não parecia ser uma corda comum, era mais denso, mais pesado, como se fosse um material feito pra conter lobos. Tentou puxar, testar, mas o movimento fez uma dor aguda atravessar o ombro e ele rosnou baixo, mais por instinto do que por raiva.
Elariel se mexia dentro dele, não era o lobo arrogante e faminto que costumava rir de perigos. Era um animal exausto, com a respiração curta, a mente latejando de dor, mas estava alerta, mais alerta do que nunca.
“Se a gente não sair daqui agora… ele vai matar a gente.” , rosnou o lobo.
Anton fechou os olhos por um segun