Aquele sorriso de Isabela não saía da minha cabeça, ela não estava sorrindo como louca, sorria como se tivesse certeza. Era o sorriso de quem sabe que, mais cedo ou mais tarde, o tempo volta.
Depois do parque, Arthur dobrou a segurança. Larissa passou a dormir no quarto ao lado de Sophia. Câmeras novas foram instaladas nos muros. Tudo foi ajustado para que não houvessem brechas na segurança.
Mas o pior não era o que a gente via, era o que a gente não via.
Sophia começou a desenhar a mesma coisa todas as noites: uma mulher de vestido claro, de costas, olhando para um lago.
— É a senhora do lago — dizia, com a voz baixa. — Ela tá esperando eu voltar.
— Pra onde, flor?
— Pra perto dela.
Meu sangue gelava, mas eu não corrigia. Não podia. Porque, no fundo, eu também sentia isso: ela não desistiu.
Dois dias depois, chegou o envelope que foi deixado sobre a mesa do café da manhã, entre o pão e o suco de laranja, como se alguém tivesse entrado na casa durante a noite e sentado ali, observand