Tudo estava calmo na casa. Sophia dormia, o sono dos anjos, e eu ainda sentia o calor da pele do meu amado contra a minha. Foi a primeira vez que acordei sem medo, até ver um envelope em cima do travesseiro de Sophia, como se alguém tivesse entrado, se inclinado sobre a menina dormindo e deixado aquilo ali de propósito.
Meu sangue gelou.
Corri para pegá-lo, acendi a luz, olhei pelas janelas, pelos armários e não encontrei nada.
Mas o envelope estava lá, misterioso, simples e sem remetente.
Só meu nome escrito em letra trêmula, quase infantil, com tinta verde — a mesma que Isabela usava antes de desaparecer.
“Mauren.”
Abri com mãos trêmulas. Dentro, uma folha dobrada, cheia de frases rabiscadas como se tivesse sido escrita em surtos, com pausas longas entre cada linha.
"Você acha que eu não vejo?
Eu vejo tudo.
Vejo quando você segura a mão dela no parquinho. Vejo quando ela chama você de “Mauren do coração”. Vejo quando você dorme no quarto do Arthur, enquanto minha filha sonha com um