Depois daquela noite no jardim, tudo mudou. Não foi de repente como um estrondo.
Mas com olhares que duravam um segundo a mais, com mãos que se roçavam ao passar na cozinha, com silêncios que não precisavam de palavras.
Sophia, claro, percebeu primeiro.
— Vocês dois tão com cara de quem quer beijar de novo — disse, no dia seguinte, enquanto eu escovava seus cabelos.
— A gente beija sim — respondi, sem vergonha. — Mas só quando você está dormindo.
— Então eu durmo mais cedo hoje! — gritou, correndo para o quarto.
— Sua safadinha! — Ri sozinha, mas meu rosto esquentou. Porque, pela primeira vez, eu queria não só o beijo, o abraço ou o toque, eu queria tudo.
Naquela noite, depois de contar a história do monstro que virou estrela e esperar Sophia adormecer com o “Maurensinho” apertado no peito, saí do quarto devagar.
O corredor estava escuro, mas eu conhecia cada degrau, cada sombra.
E então vi a luz da varanda acesa.
Arthur estava lá.
Só de camisa branca, sem sapatos, segurando um copo d