Tudo começou com uma promessa.
— Hoje a gente planta margaridas novas! — Sophia anunciou naquela manhã, já com as botinhas de jardim calçadas e a enxada de brinquedo na mão. — Pra comemorar que o Mingau fez xixi no canto dois dias seguidos!
— Parabéns ao nosso felino educado — ri, amarrando meu cabelo num rabo baixo.
— E você, Mauren? O que a gente comemora com você?
Fiquei em silêncio por um instante.
— Que eu ainda tô aqui.
— Mas isso não é comemoração — ela rebateu, séria. — Isso é obrigação. Você prometeu.
— É verdade. Mas às vezes, as melhores promessas viram milagres.
Ela me olhou, pensativa. Depois, puxou minha mão.
— Vamos, então! O sol tá esperando!
O jardim estava lindo. As margaridas do esconderijo tinham florescido mais do que nunca, como se soubessem que algo importante estava por vir. Mingau estava deitado sob a sombra do pé de jabuticaba, ronronando com os olhos entreabertos, como sempre.
Foi ali, no meio da terra úmida e do cheiro de folhas molhadas, que Arthur aparece