A manhã chegou com a crueldade de um vidro bem lavado: tudo parecia nítido demais. Vivian acordou antes do despertador, o corpo lembrando o que a cabeça queria esconder. A bancada da cozinha, ali, na mesma distância de três passos; o calor das mãos dele ainda fazendo sombra na pele. Ao lado, a xícara que ela não usou. O silêncio da casa era prudente, mas não inocente.
Aline bateu duas vezes na porta antes de entrar com a pasta de sempre. Não perguntava “como você está”; perguntava “como está o