A manhã entrou pela janela alta como uma lâmina de luz sem calor. Vivian continuava sem dormir de verdade; a cabeça pesava, mas o corpo estava em pé, obediente ao que a mente repetia desde a madrugada: ficar inteira. No corredor, o arrastar de chinelos compunha uma espécie de música sem melodia. Duas presas discutiam baixo, outra pedia remédio para dor, e alguém ria com um som curto que não lembrava alegria.
— Ruivinha — chamou a mulher do beliche de cima, os olhos atentos de quem mede perigo