A casa acordou como quem se lembra do próprio nome. O café voltou a ter cheiro de manhã, o corredor de eucaliptos sussurrou palavras que só os pássaros entendem, e o portão, quando rangeu, já não fez Vivian prender o ar. Ela cortou as bordas de um pão com calma exagerada, como se o gesto pudesse ensinar o coração a obedecer a um ritmo mais lento. Escreveu no caderno de capa azul: “Quando o perigo dorme, é porque está sonhando.” Olhou a frase por alguns segundos — não para se convencer, mas para