A delegacia tinha cheiro de papel úmido e café passado demais. O corredor era um aquário de azulejos frios, onde passos viravam ecos sem dono. Ciça entrou com o queixo erguido, as mãos inquietas dentro dos bolsos da jaqueta. Aline caminhava ao lado, discreta; Eduardo vinha logo atrás, em silêncio de juiz fora de sala — o silêncio que pesa mais que qualquer martelo.
A sala de interrogatório era pequena, uma mesa, duas cadeiras e uma lâmpada que chiava. O gravador foi colocado no centro, como um