A manhã seguinte amanheceu pesada, como se até o céu soubesse que algo estava prestes a mudar. As nuvens carregadas pairavam sobre o território da matilha Valli, e o ar cheirava a chuva e conflito.
O salão principal estava lotado. Os anciãos ocupavam seus lugares à mesa de pedra, os pais de Enzo conversavam em sussurros com os líderes aliados, e todos esperavam a chegada do novo Alfa. Mas quem atravessou as portas primeiro fui eu — ao lado de Augusto.
Os olhares se voltaram imediatamente.
Alguns de surpresa. Outros de puro desprezo.
— Hellena Moretti… — murmurou uma das anciãs, apertando o colar de prata que carregava no pescoço. — Você não deveria estar aqui.
Eu ergui o queixo. — Sou parte desta alcatéia, quer vocês aceitem ou não.
Meu coração batia forte, mas não por medo. Por determinação. Por algo que queimava desde a noite anterior, desde que vi Augusto lutando contra sua própria natureza.
Ele estava ao meu lado, sério, o olhar firme e os músculos tensos sob a camisa escura. Ning