O som da floresta ainda parecia ecoar dentro de mim. Cada passo que eu dava ao lado de Augusto fazia o chão vibrar de leve, como se a terra reconhecesse a força que caminhava sobre ela. O vento carregava o cheiro dele — denso, amadeirado, quente — e isso bastava para meu corpo inteiro reagir, mesmo quando eu tentava pensar em qualquer outra coisa.
A luta havia acabado, mas o ar ainda cheirava a sangue e adrenalina.
Dante tinha fugido.
Mas algo me dizia que ele ainda estava por perto.
Observando.
O silêncio entre mim e Augusto era quase palpável. Eu podia ouvir a respiração dele, firme e contida, como se cada inspiração fosse um esforço para manter o autocontrole. Seus ombros ainda estavam tensos, o maxilar travado, e o olhar — aquele olhar dourado que por instantes brilhava sob o luar — denunciava o que ele tentava esconder: o lobo ainda estava à flor da pele.
— Você está ferido, — murmurei, sem conseguir disfarçar a preocupação. — Deveríamos parar um pouco.
Ele balançou a cabeça. — N