* Dayse entrou em casa sem acender as luzes. A penumbra da sala a envolvia com um calor estranho, mais humano do que a luz fria e indiferente do restaurante onde passara quase duas horas esperando por Enzo. Largou a bolsa no sofá, tirou os sapatos e deixou o corpo afundar na poltrona, como se quisesse desaparecer entre as almofadas.
Ela não chorou. Talvez fosse pior assim — esse vazio seco e oco no peito, um latejar surdo que reverberava por dentro, consumindo cada pedaço de esperança que ainda