A chuva cai fina lá fora, um som constante contra o vidro que parece marcar o compasso do meu próprio coração. A manhã mal clareou, e o quarto ainda está tomado por uma penumbra calma, o lençol amarrotado, o perfume dela no ar. O peso da noite ainda paira sobre mim — não só o corpo dela, agora encolhido ao meu lado, mas tudo o que fizemos sem pensar.
Um toque seco na porta me desperta da imobilidade. Lourdes.
— Senhor Rodolfo? — a voz dela atravessa o corredor. — O doutor Daniel chegou. Está na