Mundo de ficçãoIniciar sessãoLuna sentiu as mãos tremerem.
A mensagem ainda estava diante de seus olhos.
"VOCÊ DEVERIA TER MORRIDO COM SEU FILHO."
Aquelas palavras não eram apenas uma ameaça.
Eram uma prova.
Uma prova de que alguém sabia mais do que deveria.
E de que aquele alguém ainda estava observando.
— Quem fez isso? — perguntou ela.
Leonardo não respondeu imediatamente.
Continuava olhando pela janela do quarto.
Seu rosto estava tenso.
Concentrado.
Como se estivesse procurando algo.
Ou alguém.
— Leonardo.
— Não aqui.
— O quê?
— Não podemos conversar aqui.
Helena segurou a mão da filha.
— Escute ele.
Luna virou-se para a mãe.
— Você também?
— Pela primeira vez em anos... eu acho que ele está tentando proteger você.
Aquela frase a atingiu como um choque.
Sua mãe odiava Leonardo.
Ou pelo menos ela acreditava nisso.
Então por que parecia confiar nele agora?
Antes que pudesse perguntar mais alguma coisa, Leonardo falou:
— Vou chamar um segurança particular para ficar neste andar.
— Você acha que alguém vai tentar entrar aqui?
— Não acho.
Ele encarou a mensagem.
— Tenho certeza.
Uma hora depois.
Luna estava sentada na cafeteria do hospital.
Seu café havia esfriado.
Mas ela nem percebia.
Sua mente estava em outro lugar.
No passado.
Em Gustavo.
Na mensagem.
Nas palavras de sua mãe.
E em Leonardo.
Principalmente em Leonardo.
O homem que ela jurou odiar.
Mas que agora parecia ser o único disposto a lhe dizer a verdade.
— Você está me encarando há cinco minutos.
A voz dele a trouxe de volta à realidade.
Luna piscou.
— Não estava.
— Estava sim.
Pela primeira vez, um leve sorriso apareceu em seus lábios.
E aquilo a irritou.
Porque o sorriso o deixava ainda mais atraente.
— Não se acostume.
— Vou tentar sobreviver.
Ela revirou os olhos.
Mas, contra sua vontade, quase sorriu.
Quase.
— Agora me conte tudo.
O sorriso desapareceu.
Imediatamente.
— Há três anos comecei a investigar a morte do seu irmão.
— Por quê?
— Porque ele entrou em contato comigo pouco antes de morrer.
O coração dela disparou.
— O quê?
— Gustavo me procurou.
— Isso é impossível.
— Não é.
Leonardo retirou o celular do bolso.
Abriu uma pasta.
Mostrou uma fotografia.
Luna arregalou os olhos.
Era Gustavo.
Sentado em uma cafeteria.
Ao lado de Leonardo.
Conversando.
A foto tinha data.
Cinco dias antes da morte dele.
— Meu Deus...
— Agora entende por que eu preciso que você confie em mim?
Luna mal conseguia respirar.
Durante anos acreditou que aqueles dois mal se conheciam.
Mas ali estava a prova.
Seu irmão havia procurado Leonardo.
Por vontade própria.
— O que Gustavo queria?
— Ajuda.
— Para quê?
Leonardo ficou em silêncio.
Por alguns segundos.
Longos segundos.
Então respondeu:
— Para derrubar uma organização.
Luna franziu a testa.
— Que organização?
— Uma rede de corrupção que envolve empresários, políticos e pessoas muito poderosas.
O mundo pareceu girar.
— Isso parece um filme.
— Eu gostaria que fosse.
— E você tem provas?
— Algumas.
— E meu irmão?
O olhar de Leonardo escureceu.
— Seu irmão conseguiu encontrar algo que não deveria existir.
— O quê?
— Uma lista.
— Lista de quê?
— Nomes.
Luna sentiu um arrepio.
— Nomes de pessoas envolvidas?
— Sim.
— E essa lista desapareceu?
Leonardo assentiu.
— No mesmo dia em que ele morreu.
O silêncio caiu entre eles.
Pesado.
Assustador.
Até que o celular de Leonardo vibrou.
Ele olhou para a tela.
E seu rosto perdeu toda a cor.
Toda.
— O que aconteceu?
Ele levantou imediatamente.
— Precisamos voltar para o quarto da sua mãe.
— Por quê?
— Agora!
Sem esperar resposta, saiu correndo.
Luna correu atrás dele pelos corredores.
Seu coração martelava no peito.
Algo estava errado.
Muito errado.
Quando chegaram ao quarto...
A porta estava aberta.
Duas enfermeiras estavam agitadas.
Um médico falava ao telefone.
E a cama estava vazia.
Completamente vazia.
Luna congelou.
— Onde está minha mãe?
Ninguém respondeu.
— ONDE ESTÁ MINHA MÃE?
O médico finalmente se virou.
Seu rosto estava pálido.
— Ela desapareceu.
O mundo de Luna desabou.
Mas, naquele exato momento, do lado de fora do hospital...
Dentro de um carro preto estacionado na sombra...
Um homem observava tudo.
E segurava uma fotografia.
A fotografia de Luna.
Com um X vermelho desenhado sobre o rosto dela.







