A chuva caía pesada contra as janelas da mansão Andrade, transformando a noite em uma cortina cinzenta e interminável.Os relâmpagos iluminavam o jardim por breves segundos, revelando árvores agitadas pelo vento antes que tudo voltasse à escuridão. O som constante das gotas batendo no vidro parecia acompanhar os pensamentos turbulentos de Luna.Ela permanecia imóvel diante da janela da biblioteca, observando a água escorrer lentamente pelo vidro. Tentava organizar as ideias, mas o aperto em seu peito só aumentava.Seu pai acabara de lhe contar algo que parecia impossível.Algo que mudaria sua vida para sempre.Atrás dela, Augusto Andrade estava sentado em uma das poltronas de couro escuro. O homem parecia mais velho naquela noite. As rugas em seu rosto estavam mais profundas, e seus olhos carregavam um cansaço que Luna nunca tinha visto antes.Mesmo assim, ela não conseguia sentir pena.Estava furiosa.— Não existe outra saída — disse ele pela terceira vez.A voz soava cansada, quase
Ler mais