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O Segredo no Leito do Hospital

Luna ficou imóvel.

As palavras do médico ecoavam em sua mente.

"Sua mãe tem um tumor."

Não.

Aquilo não podia estar acontecendo.

Primeiro Gustavo.

Depois a falência da empresa.

Agora sua mãe.

Era como se sua vida estivesse desmoronando peça por peça.

— É maligno? — perguntou com a voz trêmula.

O médico suspirou.

— Ainda precisamos de mais exames para confirmar.

Luna sentiu as lágrimas escorrerem.

Tentou limpá-las rapidamente.

Mas era impossível controlar o medo.

Ao seu lado, Leonardo permaneceu em silêncio.

Sem fazer perguntas.

Sem tentar confortá-la.

Apenas presente.

E, estranhamente, aquilo ajudava.


Minutos depois, Luna entrou no quarto.

Sua mãe estava acordada.

Pálida.

Frágil.

Muito diferente da mulher forte que sempre conheceu.

Ao vê-la, Helena sorriu.

— Não faça essa cara.

Luna segurou sua mão.

— Você me assustou.

— Desculpe.

— Como está se sentindo?

— Cansada.

Helena observou a filha por alguns segundos.

Então seu olhar foi além dela.

Parando na porta.

Em Leonardo.

O sorriso desapareceu.

Instantaneamente.

Luna percebeu.

E Leonardo também.

Os dois trocaram um olhar estranho.

Tenso.

Como se compartilhassem um segredo.

— O que ele está fazendo aqui? — perguntou Helena.

— Ele me trouxe ao hospital.

A expressão dela endureceu.

— Você não deveria estar perto dele.

Luna franziu a testa.

— Mãe...

— Estou falando sério.

Leonardo deu um passo para trás.

— Talvez eu deva ir.

— Talvez devesse ter ido há muitos anos — respondeu Helena.

O quarto mergulhou em silêncio.

Luna sentiu um arrepio.

Aquilo não era normal.

Sua mãe nunca falava daquele jeito.

Muito menos quando estava doente.

— O que está acontecendo?

Ninguém respondeu.

— Mãe?

Helena desviou o olhar.

— Nada.

— Não minta para mim.

A mulher fechou os olhos.

Como se estivesse reunindo forças.

Quando voltou a abri-los, pareciam cheios de tristeza.

— Algumas verdades são perigosas demais.

Luna sentiu o coração acelerar.

As mesmas palavras que Leonardo havia usado.

Verdades.

Segredos.

Mentiras.

Tudo parecia conectado.

— Tem a ver com Gustavo?

Helena congelou.

Foi apenas por um segundo.

Mas Luna percebeu.

E aquilo bastou.

— Tem, não tem?

— Luna...

— Mãe, por favor.

As lágrimas voltaram aos olhos da mulher.

— Eu tentei proteger você.

— Proteger de quê?

Helena apertou sua mão.

Com força.

Como se tivesse medo do que estava prestes a dizer.

Então sussurrou:

— Seu irmão descobriu algo.

O coração de Luna quase parou.

— O quê?

— Eu não sei exatamente.

— Como assim?

— Ele não me contou tudo.

— Então o que você sabe?

Helena respirou fundo.

— Alguns dias antes de morrer, Gustavo disse que havia encontrado provas contra alguém muito poderoso.

Luna ficou sem ar.

Leonardo observava tudo em silêncio.

Atento.

Como se estivesse ouvindo exatamente o que esperava ouvir.

— Quem era essa pessoa?

— Eu não sei.

— Mãe...

— Eu juro.

Helena começou a chorar.

— Eu não sei.

Luna abraçou a mãe.

Tentando acalmá-la.

Mas dentro dela o medo crescia.

Porque aquilo significava que Leonardo poderia estar dizendo a verdade.

E se estivesse...

A morte de Gustavo nunca foi um acidente.

Nesse momento, uma enfermeira entrou correndo no quarto.

Parecia nervosa.

Muito nervosa.

— Senhora Helena?

— Sim?

— Recebemos uma encomenda para a senhora.

— Uma encomenda?

A enfermeira entregou um pequeno envelope preto.

Sem remetente.

Sem identificação.

Nada.

Helena empalideceu imediatamente.

Como se tivesse visto um fantasma.

— Não...

Suas mãos começaram a tremer.

— Não pode ser.

— Mãe?

— Eles me encontraram.

O quarto inteiro ficou em silêncio.

Luna arrancou o envelope das mãos dela.

Abriu rapidamente.

Dentro havia apenas uma única folha.

Com uma frase digitada em letras maiúsculas:

"VOCÊ DEVERIA TER MORRIDO COM SEU FILHO."

Luna sentiu o sangue gelar.

E quando levantou os olhos...

Percebeu que Leonardo já estava olhando para a janela do quarto.

Como se soubesse exatamente o que aquilo significava.

— Nós estamos sem tempo — disse ele.

E pela primeira vez...

Luna acreditou nele.

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