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O Segredo Que Ninguém Deveria Saber

Luna sentiu o coração bater mais rápido.

O silêncio que se instalou na mesa era sufocante.

Leonardo mantinha o olhar fixo em Isabela.

Frio.

Perigoso.

Mas havia algo diferente naquela expressão.

Algo que ela nunca tinha visto antes.

Preocupação.

— Vá embora, Isabela — repetiu ele.

A mulher apenas sorriu.

— Sempre tão autoritário.

— Não vou pedir outra vez.

— Que pena. Porque eu vou falar.

Luna observou os dois.

Claramente existia uma história mal resolvida ali.

E uma parte dela queria saber.

A outra queria levantar da mesa e esquecer aquela loucura de casamento.

Mas sua curiosidade venceu.

— Falar o quê? — perguntou.

Leonardo virou imediatamente para ela.

— Não escute nada que ela disser.

Isabela riu.

— Agora ficou interessante.

Ela puxou uma cadeira e sentou sem ser convidada.

— Você sabia que o grande Leonardo Valente quase desapareceu há dois anos?

Luna franziu a testa.

— O que isso significa?

— Significa que ele passou meses internado.

O olhar de Leonardo endureceu.

— Chega.

Mas Isabela continuou.

— Depois de sofrer um grave acidente.

Luna piscou.

Acidente?

Aquilo não parecia um segredo tão terrível.

Até que Isabela completou:

— Um acidente que matou alguém.

O mundo pareceu parar.

Luna sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

Leonardo fechou os olhos por um segundo.

Como alguém tentando controlar a própria raiva.

— Você não sabe do que está falando.

— Eu sei exatamente do que estou falando.

Luna voltou o olhar para ele.

— É verdade?

Leonardo demorou a responder.

E aquele simples atraso já dizia muito.

— Sim.

O coração dela disparou.

— Alguém morreu?

— Sim.

A resposta veio baixa.

Pesada.

Cheia de culpa.

Pela primeira vez, Leonardo parecia carregar o peso do mundo sobre os ombros.

Isabela cruzou os braços.

— Viu? Eu não menti.

Luna sentiu o estômago revirar.

Durante anos ela acreditou que Leonardo era apenas um homem frio e arrogante.

Mas agora percebia algo diferente.

Ele carregava cicatrizes.

Feridas.

Talvez até arrependimentos.

— Quem morreu? — perguntou ela.

O silêncio voltou.

Leonardo apertou a mandíbula.

Seus olhos escuros encontraram os dela.

Por alguns segundos, ele pareceu travar uma batalha interna.

Então respondeu:

— Meu irmão.

Luna ficou sem palavras.

Isabela também pareceu surpresa.

— O quê?

Leonardo levantou-se lentamente.

— Você achou que sabia da história inteira.

A voz dele estava diferente.

Mais baixa.

Mais vulnerável.

— Mas nunca soube de nada.

Pela primeira vez desde que chegaram, Isabela perdeu o sorriso.

— Leonardo...

— Meu irmão estava comigo naquele carro.

Luna sentiu o peito apertar.

A dor na voz dele era impossível de fingir.

— Eu sobrevivi.

Ele respirou fundo.

— Ele não.

O restaurante inteiro pareceu desaparecer.

Só existiam aquelas palavras.

Aquela dor.

Aquele homem.

Por um instante, Luna esqueceu o ódio que sentia.

Esqueceu os anos culpando Leonardo por tudo de ruim que havia acontecido.

Porque naquele momento...

Ele parecia apenas alguém quebrado.

Isabela levantou-se.

Visivelmente desconfortável.

— Eu não sabia.

— Porque você nunca quis saber.

Ela não respondeu.

Pegou a bolsa e se afastou rapidamente.

Quando desapareceu pelo salão, o silêncio voltou.

Luna permaneceu parada.

Sem saber o que dizer.

Sem saber o que sentir.

Leonardo pegou a carteira sobre a mesa.

— A reunião acabou.

— Espere.

Ele parou.

— Você realmente quer se casar comigo?

A pergunta saiu antes que ela pudesse impedir.

Leonardo demorou alguns segundos para responder.

Então se aproximou.

Perto demais.

O suficiente para que Luna sentisse seu perfume.

Seu coração acelerou instantaneamente.

— Quero.

— Por quê?

Ele sustentou seu olhar.

Intenso.

Profundo.

Como se enxergasse algo que ela própria não conseguia ver.

— Porque você é a única pessoa que pode me ajudar a descobrir a verdade sobre o passado.

Luna congelou.

— O quê?

— Seu irmão Gustavo...

O nome atingiu Luna como um choque.

— O que tem meu irmão?

Os olhos de Leonardo escureceram.

— A morte dele não foi um acidente.

O chão pareceu desaparecer sob seus pés.

— Você está mentindo.

— Eu queria estar.

— Não.

— Alguém o matou.

Luna sentiu o ar faltar.

Seu corpo inteiro ficou imóvel.

Enquanto Leonardo pronunciava as palavras que mudariam sua vida para sempre:

— E eu pretendo descobrir quem foi.

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